Completou-se na última semana, trinta anos do passamento desta para outra esfera astral, daquele que foi talvez o maior poeta da Música Popular do Brasil. Múltiplo artista, Vinícius de Moraes foi escritor, músico, diplomata, boêmio, curtidor da vida em todas as suas variantes, e cidadão do Mundo. Também escreveu peças de teatro e trabalhou em jornais fazendo crônicas e críticas de cinema. Seu vasto domínio da linguagem culta ou erudita em muito enriqueceu a música popular, a qual conferiu qualidade literária.
Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1913 e escreveu seu primeiro poema aos 7 anos de idade. Fez curso de direito na antiga capital da Guanabara e literatura inglesa em Oxford. Ingressou na carreira diplomática por concurso e trabalhou em embaixadas do Brasil mundo afora. Publicou diversos livros, entre os quais “Poemas, sonetos e baladas” e “Para viver um grande amor”, que mereceu várias reedições. A constante de sua poesia era o lirismo, a expressão indizível da beleza. E foi esta linguagem que fala direto ao coração que o levou para a música popular, onde alcançou êxito internacional como o Papa da Bossa Nova.
Através do universo musical, manteve contato com muita gente do meio artístico que viraram parceiros, tais como Tom Jobim, Carlinhos Lira, Pixinguinha, Baden Powel, Chico Buarque, Maria Creuza e Toquinho, que marcaram presença em sambas e canções como Carta ao Tom, Garota de Ipanema, Insensatez, A casa, Chega de Saudade, Tarde em Itapoã, Gente Humilde, Onde anda Você, Sei Lá e muitas outras.
Representante de uma escola poética romântica amorosa dos tempos modernos, Vinícius conseguiu como poucos expressar com realismo e pureza de sentimentos a relação de amor entre o homem e a mulher. Para os amigos, Vinícius era uma pessoa maravilhosa que buscava sempre compreender e dar uma força para todo mundo, uma pessoa de gestos suaves e incapaz de qualquer tipo de violência e que gostava de conversar sobre as coisas que a vida tem de bom, de gostoso, de engraçado. Gostava de ver a vida passar sem fazer nada, a não ser ficar “pensando na morte da bezerra” a bordo de um legítimo Old Parr.
Em Guajará-Mirim, a poesia e a maneira apaixonada de sentir e viver o mundo e as coisas de Vinícius, encontra ressonância através da voz e violão do amigo e músico Da Hora, que vez em quando dá uma canja lá na taberna do Celso Lobato. Outros amigos que também fazem quorum às sextas-feiras quando aportam por aqui, são os magnânimos Alex Casara e o Dr. João Soares. Este seleto conjunto poderia encontrar eco com mais difusão se contasse com uma platéia também seleta de fãs da poesia e da música de Vinícius como Sérgio Ribeiro, Clóvis Everton, Lorenzo Villar, Carola, Evângelo Vassilakis, Ditão, Abrahim Chamma, Aurimar da Receita e Paulinho Medeiros.
Vinícius de Moraes nos deixou em 08 de julho de 1.980. De suas músicas, as que mais este cronista aprecia são “Pela Luz dos Olhos Teus”, que fala sobre o encontro de solidões e percepções extra-sensoriais entre almas gêmeas, e “ A Tonga da Mironga do Caxinguelê”, um petardo a favor das alegrias da vida e da arte de viver e superar obstáculos ao mesmo tempo em que se carrega fardos insuportáveis.

3 comentários:
"O whisky é o melhor amigo do homem, é o cachorro engarrafado" , "As três melhores coisas(bebíveis) da vida são: PRIMEIRO Whisky importado,SEGUNDO whisky nacional , TERCEIRO whisky falsificado" Hora dessas deve estar recepcionando o Grande Paulo Moura e organizando um trio com Pixinguinha e Rafael Rabelo ao violão...deus não é besta!
Gente, acho que descobri a identidade do El Diablo...
"A tonga da mironga do kabuletê" é realmente um clássico da dupla Toquinho e Vinícius. Mas essa que você mencionou (do Caxinguelê) deve ser inédita. Eu, hein... onde você tomou dessa?
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