quinta-feira, 26 de julho de 2012

QUANTO CUSTA UMA CAMPANHA

No sistema de eleições vigente, um dos quesitos que mais têm gerado suspeitas é quanto à dinheirama que se investe nas campanhas. E a população tem todos os motivos para desconfiar, pois nunca se sabe de maneira efetiva quanto o candidato gastará na eleição. Se a gente procurar no TRE as declarações dos candidatos nas últimas eleições, iremos nos deparar com números contábeis que iriam nos revoltar. Eles refletem a cara-de-pau da maioria dos nossos políticos. É de dar nó nas tripas tamanha desfaçatez.

A maneira mais eficaz dos candidatos não serem cobrados por aqueles que financiam as campanhas, é as mesmas campanhas serem bancadas pelo Estado. Mas enquanto isto não acontece, a gente já percebe que a coisa até evoluiu muito nos últimos tempos devido a proibição da distribuição de brindes, camisetas, bonés e etecéteras... mas, em especial, ter proibido o “showmício” que levava o público eleitor para as praças públicas, não para escutar o discurso do candidato, mas somente e unicamente para assistir o forrozeiro ou sertanejo de sua preferência. Todos os gastos e doações de campanha deveriam ser levados à público através dos jornais e programas de rádio. Aliás, isso deveria ser cláusula pétrea, não resta dúvida.

Abaixo vou fazer uma listagem com números próximos e imediatos que deverão ser gastos pelos candidatos que desejam de verdade disputar a eleição de 2012. De antemão é preciso deixar claro que este números estão focados para âmbito de Guajará-Mirim, isto levando-se em conta que o candidato deverá levar sua mensagem para quase 48.000 pessoas que habitam nosso município. Todos os preços são válidos pelos três meses de campanha. Se não acertar nestes números, errarei por pouco.

1- COORDENAÇÃO GERAL............................................................... R$ 30.000
2- ESTÚDIO DE GRAVAÇÃO.*...........................................................R$250.000
3- GRÁFICA*......................................................................................... R$100.000
4- JORNALISTAS E EDITORES...........................................................R$ 20.000
5- OUTDOORS........................................................................................R$ 30.000
6- CARROS DE SOM..............................................................................R$ 30.000
7- EQUIPE DE SEGURANÇA................................................................R$ 10.000
8- ALIMENTAÇÃO.................................................................................R$ 50.000
9- TELEFONE*........................................................................................R$ 30.000
10- JURÍDICO............................................................................................R$ 20.000
11- SECRETÁRIAS, MOTORISTAS........................................................R$ 10.000
12- DIVERSOS (combustível, formiguinhas, pinturas de muros)..............R$220,000

Total: R$800.000.

Expostos os números acima, fica-se a imaginar: é muita investidura da pessoa que deseja ser prefeito. É ou não é? A pergunta que fica no ar é: será que os eleitos recuperam o dinheiro gasto na campanha somente com os salários? É claro que recuperam. Mas não com os salários. Das duas uma: ou é muita vontade de ajudar a população ou é a tara pelo Poder que fascina o ser humano.


• Gravação de TV e Rádio. Este processo envolve no mínimo quinze profissionais (cinegrafistas, iluminadores, técnicos de som etc...)
• Santinhos e cartazes para candidatos à prefeito e vereadores.
• Trinta aparelhos celulares.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

O CIDADÃO JOSÉ NONATO

Faleceu no dia 24 de junho, aos 66 anos o cidadão José Nonato de Araújo. Após três meses de martírio na UTI de um hospital da capital, Zé Nonato, como era mais conhecido, não resistiu ao achaque da doença que acabou por vitimá-lo. Primeiro filho de uma levada de cinco que Dona Ester e seu Domingos tiveram, Zé Nonato teve que trabalhar desde pequeno para ajudar no sustento da família. Em sua vida adulta foi funcionário do Banco do Brasil, chegando a exercer cargos de alta relevância nesta instituição bancária. Destacou-se como gerente até se aposentar.

Pilastra de toda a família, Zé nonato dedicou sua vida a se preocupar com o bem estar de seus filhos. Fazia questão de tê-los sempre acerca de si, tanto no espaço físico, quanto no do aconchego, da palavra amiga, do conselho de pai. E foi tão prodigal neste particular que ajudou-os a adquirir residências o quanto mais vizinho possível de sua choupana.

Bonachão e espirituoso, Zé Nonato sempre calava a platéia presente ou a deixava no mínimo boquiaberta com alguma palavra de efeito jogada no momento oportuno em qualquer mesa de discussão fosse qual fosse a pendenga, seja negócios, política, religião ou futebol. Reservado, seu círculo de amigos era um clube fechado. Toninho Nogueira e Ditão do Banco do Brasil tiveram o privilégio de desfrutar de sua amizade nos últimos tempos. Bom bebedor, Zé Nonato varava os fins de semana na companhia do bom e velho uísque Natu Nobilis. Gostava de aborrecer os garçons nos restaurantes que passava. Toda vez que perguntavam se queria mais uma cerveja, respondia: - Não, menos uma! E quando o serviçal resolvia rebater ao retrucar se ele pretendia outra cerveja, o Zé Nonato tascava: - Não, me traga a mesma, por favor! Torcia para o Botafogo sem muito fanatismo. Quando seu time ganhava, ganhava. Quando perdia, achava que tinha mais era que perder mesmo.

Era um grande leitor. Lia desde a Seleções do Readers Digest, passando por Veja, Isto É, Visão, Exame e jornais de todos os matizes e correntes, desde a Folha de São Paulo até O Mamoré. Gostava das páginas de economia, que o mantinha informado acerca das oscilações do Mercado e que também mantinha sua prudência e equilíbrio frente aos gastos pessoais. Esta fixação por cotações da Bolsa, do Dólar comercial e paralelo, dívida externa, taxa de juros, balanços e orçamentos, acabou passando para o filho Dome Araújo, técnico em administração, profissão que executa com agilidade e desembaraço na Prefeitura de Guajará-Mirim.

Sua ausência continua doendo no seio de sua família que não se conforma com sua partida. E também a amigos que chegam a se irritar com a aceitação da morte como uma coisa natural, como se os lamentos e choros pudessem ajudar a alma do morto a subir aos céus o mais rápido possível. A verdade é que a morte não passa de um inimigo invisível que nos acompanha todos os dias de nossas vidas, em casa, no trabalho ou lazer. Lá está ela, ali ao lado a espera do momento oportuno para dar o seu bote certeiro. Infelizmente esta é a única certeza do ser humano.

Zé Nonato era um cidadão de bem e procurou provar isto através de suas atitudes. E fez muito mais que sua parte.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

IVO CASSOL GARANTE APOIO A MIGUEL SENA PARA PREFEITO

A convenção que coligou os partidos PP, PSB, PPS, PTN, PPS e PSD na tarde do último sábado (30) e que emplacou o nome do ex-deputado Miguel Sena como candidato à Prefeito, obteve apoio incondicional do Senador Ivo Cassol que, na companhia do deputado federal Carlos Magno, esteve em Guajará-Mirim exclusivamente para este propósito.

Na abertura deste encontro, o Presidente da Câmara, Célio Targino, filiado ao PP, agradeceu a presença tanto do senador da república como do deputado da Câmara Federal, candidatos a vereadores, funcionários da Casa de Leis, moto-taxistas, líderes de partidos, de associação de bairros e povo em geral, ao mesmo tempo em desejou boa sorte aos postulantes aos cargos eletivos de 2.012. Célio Targino aproveitou ainda seu discurso para fazer uma explanação sobre seu trabalho a frente do Legislativo Municipal e enumerar as realizações do ex-deputado Miguel Sena. O Presidente da Câmara alertou a todos os candidatos para que se preocupem em fazer uma campanha sem utilizar de métodos ou artifícios que possam prejudicar todo um processo ou trabalho da coligação.

Com um discurso em tom de revolta, o ex-deputado Miguel Sena lamentou a falta de atitude do atual Prefeito Atalíbio Pegorini, que por não ter ouvido a Câmara em todos estes anos, tem deixado a cidade ao abandono e entregue à própria sorte. Disse estar arrependido de ter apoiado o atual prefeito e que está confiante em sua eleição no Pleito de outubro. “Eu preciso que Guajará-Mirim me dê uma oportunidade de governar esta cidade. Com a experiência que adquiri nas minhas vivências políticas, na escola política em que estudei, que foi a escola do grupo Cassol, eu vou trazer as melhoras que Guajará-Mirim tanto precisa”.

O Senador Ivo Cassol, no estilo que o caracteriza, não hesitou em apontar os desmandos da atual administração local e ressaltou que seu candidato à Prefeito há quatro anos era Miguel Sena. “Como por motivos de força maior, Miguel teve que desistir, me apresentaram o nome do atual prefeito, que como homem da sociedade não tinha problema nenhum, mas que como gestor público, não correspondeu às expectativas”, asseverou o senador.

Cassol disse ainda que Guajará-Mirim precisa de alguém na prefeitura que tenha coragem de bater na mesa e faça a máquina caminhar. “Errar é humano, mas a gente não precisa insistir no erro duas vezes seguidas. Por isto é que agora eu coloco e avalizo o nome de Miguel Sena, uma pessoa que conheço a fundo, que é meu amigo particular, que tem responsabilidade, é sério, honesto e correto. Com certeza Miguel hoje é a melhor escolha para administrar Guajará-Mirim”, finalizou Ivo Cassol.

O arco de alianças desta coligação definiu como candidato à vice-prefeito o funcionário público Elibeu do Carmo, filiado ao PSD.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

SAÚDE, EDUCAÇÃO, GREVE E INTERESSES


Após o “Tsunami” causado pelo manifesto grevista que paralisou por duas semanas os setores da Saúde e da Educação municipal, uma coisa ficou patente: se hoje em dia não há mínimas condições para trabalhar, o culpado não é o servidor sem motivação nem perspectivas, e sim o Prefeito que não sabe administrar e muito menos respeitar o servidor tanto como profissional, tanto como cidadão.

Os funcionários da Educação brigavam por complementos no Plano de Cargos, Carreiras e Salários, em especial quanto ao reajuste na tabela salarial, pois a mesma estava em desacordo com os percentuais atuais, gerando defasagem que incidiam de maneira direta no custo de vida. Os grevistas da Saúde reivindicavam um plano de progressão mais condizente com as necessidades dos funcionários e suas atividades.

Tirante a euforia e o êxtase geral que tomaram parte da miríade de reclames, o que vigorou nesta manifestação foi a histeria exagerada de alguns políticos e líderes sindicais em procurar resolver a situação na base do “vai ou racha”. Em momentos como estes, remexer a bosta, com certeza a tornará mais fétida. Mas isso tem sido a tática de pessoas que tem o costume de trabalhar a favor do caos e que só conseguem espaço na política através do discurso do “quanto pior, melhor”, como é o caso de políticos ligados ao PT, um desserviço para toda a sociedade. Não foi difícil conseguir enxergar uma explícita necessidade de aparecer de pessoas vinculadas ao séquito petista. Difícil foi imaginar que os grevistas pudessem somente estar fazendo parte do jogo de interesses. O desgaste inoportuno deste “fuzuê” foi enorme para todos.

O mais correto em situações como estas, é procurar resolver o embaraço numa mesa de negociações a fim de corrigir estas distorções. Mas como? Fazendo um balanço geral da situação para, uma vez identificadas as disposições nas finanças públicas, estabelecer a correta aplicação na satisfação das carências básicas do servidor, que objetivam acima de tudo melhorias em seus parâmetros de vida. Esta é a diretriz da responsabilidade com a coisa pública. E foi exatamente esta a diretriz que procurou encontrar o Presidente da Câmara, Célio Targino, ao intermediar de maneira madura a discussão entre o Prefeito Atalíbio Pegorini e a representação dos grevistas.

Disposto a desarmar os espíritos de qualquer tipo de ranço de discórdia e incompreensão mútua, o Presidente da Câmara, como agente de negociação, exerceu papel de extrema importância na intermediação desta celeuma. Talvez se não fosse a intervenção do Presidente da Câmara, esta reunião poderia ter chegado ao seu desfecho sem nenhum assunto em conclusão devido aos inúmeros desvios de foco das questões essenciais.

Neste encontro, Célio Targino apenas fez o Prefeito entender que já estava passando da hora de se fazer uma análise hermenêutica sobre a situação e encontrar medidas cabíveis e propostas condignas de respeito à dignidade do servidor público para que estes funcionários pudessem vislumbrar ao final de sua jornada de trabalho, recompensas justas pelo esforço que realizou.

Com respeito ao diálogo é possível chegar a um consenso geral. Com buzinaços, palavras de ordem, baderna e bagunça, só se consegue barulho e más vibrações.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

FUTEBOL E POLÍTICA

Futebol e política são assuntos que se misturam. São assuntos do momento. E são assuntos complexos. Cada um tem a sua opinião a respeito e está sempre achando que a opinião do outro não merece crédito. Mas de maneira geral, somente aqueles que possuem o fio condutor para a compreensão da razão crítica ou da lógica das circunstâncias, conseguem sobressair-se acerca dos demais a respeito da discussão que envolve futebol e política.

Uma das falácias dos últimos tempos é a de que a magnífica equipe do Barcelona, que acabou saindo nas semifinais da última Copa dos Campeões não era um escrete de colocar no chinelo a equipe que a eliminou. E por incrível que pareça, estas “hienas” que propagam este estapafúrdio são as mesmas que achavam que o Santos do gabiru Neymar bateria fácil o time catalão no último Mundial de Clubes. Daí a explicação: como daquela vez o desfecho da partida acabou sendo uma humilhação, não só para o clube santista, mas para todo o futebol que aqui nesta terrinha se pratica, estes imbecis passaram a satanizar o “Carrossel” espanhol, que outra coisa não tem fazido a não ser jogar o seu futebol.

Um colega de trabalho chegou ao êxtase ou fanatismo xiita de achar que o timeco do Corinthians seria o único da América a enfrentar o Barça de igual para igual. Tamanho disparate só se compara em paralelos à heresia de um torcedor do próprio Barça que afirmou encontrar Deus toda vez que assiste Messi entortar a defesa adversária.

Do futebol, passemos para a condição humana que é inerente a cada ser racional, que antes de tudo, é um animal político. Na política é muito comum acontecer de aqueles que sempre foram os maiores pilantras, os maiores safados, os maiores ladrões e sem-vergonhas da paróquia acabarem sendo eleitos para ocupar postos de alta relevância em todos os poderes sem o legítimo aval da classe pensante da sociedade, exatamente porque estes crápulas fizeram uso e abuso da calúnia, da mentira e dos maus costumes como arma política.

A política, assim como o futebol, ao contrário do que dizem, tem sua lógica sim. Em recente artigo para o jornal A Folha de São Paulo, o ex-cracaço Tostão explicou que “O Barcelona naquele jogo pelas semifinais na Copa dos Campeões, acabou perdendo por detalhes atípicos e incomuns. O Barcelona estava em fim de temporada e talvez, cansado, não tenha tomado a bola no campo adversário com a mesma eficiência. E por este mister teve menos chances de gols e acabou sofrendo mais contra-ataques. Em suma, acabou faltando ao Barça um “matador” para não depender tanto de Messi. Além do mais, acostumado com tanto sucesso, o Barcelona se desconcentrou e esqueceu que poderia sair daquela peleja com a derrota nas costas”.

Pra resumir o rescaldo: não é por causa deste atropelo que resultou na derrota do Barcelona para o Chelsea no último Champions League, que a gente vai passar a admirar equipes medíocres. Da mesma maneira, também não devemos aplaudir nem reverenciar políticos que não mereciam estar no patamar em que se acham instituídos, só porque venceram as eleições.