terça-feira, 27 de julho de 2010

DURA LEX SED LEX

O velho deitado, já em seu leito terminal, em uma tarde crepuscular me professou o seguinte aforismo: “Meu filho amado, ainda chegará o dia em que as pessoas de bem, honestas e de bom caráter, deverão receber o devido castigo”. O velho deitado, que partiu para as grandes caçadas nos campos de Manitu em junho de 2.005 era um cara demasiado humano. E tão demasiado humano que devido à sua cegueira quanto ao mundo do “Vera” e sua falta de medida frente a tantas coisas desmedidas, faltava-lhe como remédio ou complemento a consciência geral de saber o quanto o ser humano também pode ser medíocre, baixo, grosseiro, falso, mesquinho, coxo e ignorante. Assim era meu pai, este soldado da cultura que todos conheciam por Sargento Amaral.

Fiz esta chorumela editorial a fim de cimentar com subsídios que estão albergados no DNA deste cronista, fatos que se passaram por ocasião do desgaste que tive no fórum desta cidade, onde fui ouvido pelo promotor de justiça, a respeito de uma queixa-crime perpetrada por um servidor público, que embora também intimado a dar as caras nesta audiência, apesar de seu tamanho descomunal, preferiu agir conforme sua pequenês e fugiu do pau. Em suma, não foi homem suficiente para encarar o debate.

Nesta audiência, a Promotoria me fez compreender que a melhor maneira para auto-solução deste conflito, seria acatar o que manda o estatuto da Hermenêutica forense, e que o melhor caminho a prosseguir seria dar cabo de uma vez por todas com estas coisas comezinhas e estipulou uma pequena multa que deverá ser paga assim que chegar a fatura. Concordei com a decisão tomada e em seguida manifestei de livre e espontânea vontade meu desejo de não representar a parte contrária em uma queixa-crime de abuso de autoridade, a fim de não prejudica-lo (o servidor) em seu trabalho.

Sem querer criticar o mérito da coisa julgada, saí daquela arena com as alegrias serenas da consciência e sem ao menos questionar o qüiproquó que em alguns casos, gravita em torno do problema da responsabilidade do Estado por danos causados ao particular. Refiro-me a justiça cega que ainda qualifica o que não viu e às vezes acredita e põe fé por sua conta e risco, na máscara de falsidades que pessoas de má-fé deixam sob responsabilidade do “Legis consulto”.

Nada a ver com aquilo que foi proposto pela Corte. Aliás, queria aqui expressar meu respeito e admiração aos magistrados, que nada mais são que agentes estatais no exercício de suas obrigações do Estado frente ao Estatuto do Direito, e que com base nos pressupostos do processo, apenas estabelecem a ordem judicial vigente. Portanto os juizes nada mais fazem que exercer sua nobre e digna missão de justiça buscando sempre o Norte que a bússola deve apontar na procura da boa aplicação do Direito.

Last but not least, estive naquela audiência tanto em legítima defesa da verdade como para pôr reparo em eventuais atos falhos e sem querer desvirtuar a clarividência das coisas. A parte contrária, em sua ânsia por vingança, deve ter se acovardado talvez por ignorância no tecnicismo da questão em debate ou por insuficiência relativa de cultura nos ramos do saber de suas funções com a sociedade.

Como dizia o velho deitado: “Em toda vingança, meu filho amado, existe um pouco de despeita embutida”.

terça-feira, 20 de julho de 2010

SÉRGIO BOUEZ APRESENTA PROJETO QUE PROÍBE TRÂNSITO DE CARRETAS NA CIDADE

De acordo com o projeto de Lei em exposição e de autoria do vereador Sérgio Bouez (PSB), os serviços de cargas e descargas de mercadorias de todos os tipos em Guajará-Mirim, feitos por carretas e caminhões pesados ou truncados, estarão sujeitos à proibição nas vias urbanas, ou a expensas de horários para embarque e desembarque, em casos especiais como, por exemplo, em supermercados ou empresas de grande porte que possuam estacionamentos.

Pelo entender do autor da matéria, a incumbência da fiscalização, ficaria a cargo da Prefeitura Municipal de Guajará-Mirim com apoio de logística, da Polícia Militar, cabendo ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer multas em razão do descumprimento fixado na Lei em vigência, assim como aplicar multas em dobro em caso de reincidência.

Ainda segundo o vereador, este projeto visa dar prioridade tanto à conservação da malha viária da cidade, hoje totalmente repleta de acidentes técnicos graças ao trânsito irrefreável destas carretas, como também de prevenção à população frente aos problemas ou a saúde causados pelos poluentes gases tóxicos responsáveis por sensações desconfortáveis à atividade humana e doenças respiratórias.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

IMUNDÍCIE TOMA CONTA DE RUAS E CALÇADAS DE GUAJARÁ

Há mais de duas semanas sem coleta de lixo urbano, Guajará-Mirim se transformou em menos de 10 dias em uma cidade suja, imunda e fétida. O acúmulo de lixo e resíduos domiciliares nas ruas e calçadas da antes vistosa e limpa Cidade Pérola, além de afetar a saúde pública, torna-se um problema social e uma afronta à população, uma vez que o serviço de coleta de lixo é indispensável tanto para conservar a cidade mais urbanizada como para preservar a saúde e a higiene do cidadão comum. O mau cheiro que emana dos vapores residuais estão deixando toda a população à mercê de ratos, baratas, moscas e mosquitos, que são responsáveis por doenças como tifo, diarréia, desinteria, dengue, cólera, malária, tétano, etc...

O antigo serviço de coleta do lixo era realizado há cerca de 12 anos pela empresa DPZ. Uma vez findo o contrato de prestação de serviços, a Prefeitura Municipal não se preocupou em fazer uma previsão de necessidade ou renovar este termo de acordo. Ao contrário. O prefeito em vez disso, resolveu realizar um processo de licitação de uma hora para outra, deixando toda a população no “esgoto”.

Espera-se agora, que uma vez postas em práticas as operações da futura empresa de coleta de lixo, o entulho coletado não seja amontoado no lixões à céu aberto como ocorre hoje, e sim encaminhado para usinas de compostagem, como nos grandes centros urbanos ( onde poderiam se transformar em adubo com utilidade na agricultura), e que não mais ocorram atrasos na coleta, independente de problemas de força maior.

O que não pode mais é a cidade continuar tomada pelo lixo por conta da ineficácia do Prefeito.

terça-feira, 13 de julho de 2010

TRINTA ANOS SEM VINÍCIUS

Completou-se na última semana, trinta anos do passamento desta para outra esfera astral, daquele que foi talvez o maior poeta da Música Popular do Brasil. Múltiplo artista, Vinícius de Moraes foi escritor, músico, diplomata, boêmio, curtidor da vida em todas as suas variantes, e cidadão do Mundo. Também escreveu peças de teatro e trabalhou em jornais fazendo crônicas e críticas de cinema. Seu vasto domínio da linguagem culta ou erudita em muito enriqueceu a música popular, a qual conferiu qualidade literária.

Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1913 e escreveu seu primeiro poema aos 7 anos de idade. Fez curso de direito na antiga capital da Guanabara e literatura inglesa em Oxford. Ingressou na carreira diplomática por concurso e trabalhou em embaixadas do Brasil mundo afora. Publicou diversos livros, entre os quais “Poemas, sonetos e baladas” e “Para viver um grande amor”, que mereceu várias reedições. A constante de sua poesia era o lirismo, a expressão indizível da beleza. E foi esta linguagem que fala direto ao coração que o levou para a música popular, onde alcançou êxito internacional como o Papa da Bossa Nova.

Através do universo musical, manteve contato com muita gente do meio artístico que viraram parceiros, tais como Tom Jobim, Carlinhos Lira, Pixinguinha, Baden Powel, Chico Buarque, Maria Creuza e Toquinho, que marcaram presença em sambas e canções como Carta ao Tom, Garota de Ipanema, Insensatez, A casa, Chega de Saudade, Tarde em Itapoã, Gente Humilde, Onde anda Você, Sei Lá e muitas outras.

Representante de uma escola poética romântica amorosa dos tempos modernos, Vinícius conseguiu como poucos expressar com realismo e pureza de sentimentos a relação de amor entre o homem e a mulher. Para os amigos, Vinícius era uma pessoa maravilhosa que buscava sempre compreender e dar uma força para todo mundo, uma pessoa de gestos suaves e incapaz de qualquer tipo de violência e que gostava de conversar sobre as coisas que a vida tem de bom, de gostoso, de engraçado. Gostava de ver a vida passar sem fazer nada, a não ser ficar “pensando na morte da bezerra” a bordo de um legítimo Old Parr.

Em Guajará-Mirim, a poesia e a maneira apaixonada de sentir e viver o mundo e as coisas de Vinícius, encontra ressonância através da voz e violão do amigo e músico Da Hora, que vez em quando dá uma canja lá na taberna do Celso Lobato. Outros amigos que também fazem quorum às sextas-feiras quando aportam por aqui, são os magnânimos Alex Casara e o Dr. João Soares. Este seleto conjunto poderia encontrar eco com mais difusão se contasse com uma platéia também seleta de fãs da poesia e da música de Vinícius como Sérgio Ribeiro, Clóvis Everton, Lorenzo Villar, Carola, Evângelo Vassilakis, Ditão, Abrahim Chamma, Aurimar da Receita e Paulinho Medeiros.

Vinícius de Moraes nos deixou em 08 de julho de 1.980. De suas músicas, as que mais este cronista aprecia são “Pela Luz dos Olhos Teus”, que fala sobre o encontro de solidões e percepções extra-sensoriais entre almas gêmeas, e “ A Tonga da Mironga do Caxinguelê”, um petardo a favor das alegrias da vida e da arte de viver e superar obstáculos ao mesmo tempo em que se carrega fardos insuportáveis.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

FUTEBOL TEM DESSAS COISAS

Acabo de chegar a conclusão de que em Guajará-Mirim só existem duas pessoas que entendem de futebol: eu e meu amigo Clóvis Everton. A diferença entre a maioria dos que especulam e tergiversam sobre as batalhas campais que se fazem nas arenas circenses do Esporte Bretão, e a opinião ortodoxa formada com base cimentada desses dois “experts” no assunto, é que ao contrário dos leigos e energúmenos que acham que sabem alguma coisa e fazem análises e conjeturas a partir de pressupostos e retrospectos, mas sempre partindo do ponto de vista angular da emoção ou da paixão; “nosotros” temos como fio condutor para o entendimento da quadratura do círculo deste supra-sumo universal que é o futebol, a luneta da razão crítica e a diretriz do bom senso.

E acabei de chegar à esta nobre questão hermenêutica depois que juntos fizemos os prognósticos das quartas de final da última Copa do Mundo lá no Bar do Clóvis, que por coincidência é parente de minha consorte e primo-hermano do Clóvis em questão. Aliás, tudo na vida é questão de hermenêutica. Futebol também. O fato é que afora os erros e desacertos de praxe dos fanáticos de plantão, todas as nossas previsões colaram. Passaram adiante os Germanos, a Fúria espanhola, o Carrossel Holandês e a Celeste Uruguaia. Ao escrete do Brasil faltou vergonha na cara, vontade de jogar bola e um mínimo de auto-crítica.

E não adianta quererem romantizar a coisa. É preciso ter consciência que o futebol que estão jogando Alemanha, Espanha e Holanda, é que é o futebol que se joga hoje em dia. Eles não tem mais nada que aprender com a gente. Nós é que temos que colocar humildemente a cartilha à tiracolo e aprender com os europeus. É um futebol de resultados, sem deixar de ser bonito e nem empolgar a torcida.

A verdade é que a seleção brasileira chegou longe demais nesta desastrada epopéia. Tive este vislumbre depois que assisti àquela porcaria cheia de tranqueiras passar o maior sufoco para bater o saco de pancadas da Copa, que era a Coréia do Norte, que todo mundo goleou de sete a zero. Mas o que mais impressiona é como aqueles pernas-de-pau nunca tiveram humildade para reconhecer que o time era limitado. Sempre entraram de salto alto. E tome-lhes “Nós somos pentacampeões do Mundo, nós vencemos a Copa América, nós jogamos na Europa, nós temos contrato com a Nike e com a gente ninguém pode”. Faltou à equipe do Dunga a humildade que sobrou na seleção do Uruguai, por exemplo.

Também não adianta falar em erro de arbitragem, até porque se fizerem um balanço geral de erros de arbitragem, o Brasil é campeão mundial de roubalheiras em Copa do Mundo. A outra verdade é que a nossa seleção ficou marcada nesta copa pelo desequilíbrio emocional. E o principal culpado é exatamente o técnico Dunga por convocar uma porrada de brucutus em detrimento de craques de verdade como Felipe Coutinho (Vasco da Gama), Cléber (Cruzeiro), Diego Tardeli (Atlético), Paulo Henrique Ganso (Santos), Léo Lima (São Paulo), Leandro Guerreiro (Botafogo) e outros. Da seleção do Dunga, só deixava o Nilmar, que não teve chance de jogar bola.

Aí sim, a gente iria ter uma seleção do Brasil nativo, com jogadores que iriam jogar por amor a camisa e pouca preocupação com patrocínios, contratos e marketing.