De nada adiantou fazerem protestos nas rádios, passeatas e manifestos com direito a frases de efeito, faixas e cartazes pelas ruas da cidade. O Museu Municipal continua inativo, proibido para visitação, ruindo e caindo aos pedaços a cada dia que passa.
Em meados do ano passado fiz aqui mesmo nesta coluna uma resenha sobre a situação deste ponto referencial de cultura e história de Guajará-Mirim e também sobre o descaso das autoridades frente a esta situação. Em resposta obtive nota oficial da Secretaria de Turismo, dizendo que o bojo do projeto de reforma do Museu já estava a caminho e que tudo era questão de esperar até que alguns detalhes técnicos tivessem dentro dos ajustes necessários. Pura “enchessão de lingüiça”, tudo bla-bla-blá. O nosso Museu aí está para quem quiser ver, a enfear a paisagem da Cidade Pérola.
Assim como o Museu Municipal, também temos em nossa cidade em pleno centro comercial muitas construções que um dia já fizeram parte da história do nosso povo, em completo abandono e que só estão servindo como refúgio para vagabundos, noiados e pés-inchados. São imóveis que pertencem a particulares e que devido ao desleixo de seus donos hoje estão entregue ao Deus-dará. Estas edificações em passado eqüidistante já deram abrigo para cinemas, casas de comércio e clubes da sociedade guajaramirense. Na dá mais para aturar este desprezo e abandono por estas construções que fazem parte do nosso passado. É preciso mais do que nunca preservar a história.
É sabido que toda e qualquer cidade guarda na sua arquitetura inicial as marcas da sua história, das tradições culturais e sociais da gente que a construiu. Os elos de ligação emocionais e ancestrais com a cidade costumam ter grande reforço quando uma dessas construções recuperam o brilho do passado. A reforma ou restauração desses prédios, além de estimular o turismo, poderia gerar empregos, aumentar as opções de lazer e também poderia ter até o efeito de aumentar a auto-estima dos cidadãos. A ressurreição dessas construções teria conseqüências positivas na auto-avaliação da população. Seria mais ou menos como se ela própria estivesse reagindo contra o descaso, o abandono, as intempéries e a falta de manutenção que hoje castigam essas edificações.
Se houvesse vontade política por parte dos Poderes e iniciativa e boa vontade por parte dos donos dessas construções, elas poderiam passar por uma reforma completa com a ajuda de voluntários em forma de mutirão e poderia até abrigar, por exemplo, um banco, um comércio, restaurante, venda de artesanato, centro de convenções ou salão cultural. Parece que o Banco Mundial financia a fundos perdidos empreitadas deste quilate, bastando para isso apresentar projetos com começo, meio e fim e não arremedos.
Outra sugestão que deveria se levar em consideração seria o tombamento dessas construções pelo Patrimônio Histórico. O tombamento é um recurso judicial para que determinado bem imóvel seja preservado. Ele não tira o poder de propriedade do dono. Apenas enquadra o bem em leis específicas com o objetivo de que não sejam feitas intervenções que descaracterizem o objeto, o que poderia ameaçar sua história.

Um comentário:
É verdadeiramente vergonhosa a situação de abandono em que Guajará Mirim se encontra. Uma cidade que é pioneira no Estado em relação à história e à cultura não deveria permanecer nesse estado de negligência administrativa. Cheguei há pouco tempo em Guajará, mas me decepciono cotidianamente em assistir ao tombamento (na pior acepção da palavra!) do patrimônio histórico-cultural!
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