Com certeza vocês devem estar achando minhas últimas colunas uma esculhambação só. Eu também tô achando. Mas se vocês derem uma olhada na nossa cidade, vão achar que ela que ela tá mais esculhambada que minhas últimas colunas. Quando o pessoal me vê tomando cerveja no boteco vem logo dizendo: “Você precisa deixar de lado tuas tragédias pessoais e seguir em frente”. Já num outro boteco mais prafrentex , ou seja, com menos moscas e mais hipocrisia, o pessoal me diz: “Por que que com teu talento e “norrau” político, tu não tenta barganhar uma assessoria na prefeitura?”
O cotidiano de nossa cidade, apesar de pacata, revela uma guerra surda, não declarada, mas na qual há muitos feridos. São as pequenas humilhações e cacetadas que a gente enfrenta todos os dias, É a fila interminável na lotérica, nos correios, no Banco do Brasil e no Bradesco, é a nossa situação cada vez mais precária, é o tráfego de carretas no meio da cidade que não para de jeito nenhum, são as nossas ruas esburacadas e as calçadas tomadas pelo matagal, é a falta de medicamentos e atendimento no Hospital Regional e nos postos de saúde, é a esculhambação que está essa administração onde ninguém sabe quem é que manda, é o radialista que acha o máximo dizer no ar que a polícia tem mais é que dar uma “taca” no ladrão pé-de-chinelo vítima da injustiça social, é o biltre do fiscal da receita que sabe que você mora nesta cidade desde que nasceu, mas por questão pessoal ou porque não vai com a sua cara, acha de invocar com você e te expõe ao constrangimento público toda vez que você volta do país vizinho.
Aliás, aqui abre-se um parêntesis: É claro que não são todos os agentes da aduana fronteiriça que são ignorantes no trato pessoal, alguns são até boas pessoas e gente fina pacas. Mas o que não pode mais é o cidadão de bem continuar a mercê dos recalques, problemas e frustrações de um ou outro brucutu que um dia decorou uma apostila e por um acaso passou num concurso público para a partir daí passar a empreender forças com mesquinharias em vez de implementar soluções que agreguem o valor à sociedade.
Outra coisa que também não dá mais pra aturar são os eternos babacas que ficam prestando culto para qualquer cara metido a esperto que aparece por aqui parido não se sabe de onde e que de repente passam a opinar “leseiras” sobre a nossa cidade, mas que no fundo o que querem é se beneficiar de tais mudanças feitas através de suas sugestões. Depois que ludibriam meia dúzia de idiotas, os espertos enchem as “burras” de dinheiro e ficam rindo dos trouxas que passam a conversar entre si: “E aí, o fulano também te enrabou?” “Também, e você?” “Também”.
E o pior é que quando aparece alguém com dignidade para denunciar o lamaçal onde esses “leprosos” chafurdam, logo eles te ameaçam com um processo. É a inversão dos valores. Os caras roubam, corrompem, extorquem, achacam, se metem em mil tretas, constroem suas redes de finanças e armações sobre falsas premissas com efeitos deletérios não para si mesmos, mas para toda a sociedade, e é na porta da minha casa que a polícia vem bater. Muitos poucos se perguntam por que os direitos estão cada vez mais distantes e a erva daninha cada vez mais adubada.

Um comentário:
Fico feliz de ver que meu amigo Fábio mantém sua postura ...a verdade precisa ser dita mesmo, companheiro, principalmente pra pessoas que vomitam honra e coerencia...a luta continua, companheiro!!!!
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