terça-feira, 10 de maio de 2011

O ADVOGADO DO DIABO

A liminar que o Juiz desembargador de Porto Velho concedeu ao Prefeito Atalíbio Pegorini para a permanência no cargo de chefia do Executivo Municipal, obteve efeitos mesquinhos e colocou mais uma vez Guajará-Mirim em colapso político. Algumas vezes acontece de o Estado e seus agentes, com todas as suas leis e instâncias de controle, tomarem decisões tão nocivas à sociedade que ao invés de ajeitar as coisas, acabam fazendo o contrário em prejuízo de todo um povo. Ao conceder licença para o retorno do Prefeito Atalíbio, o togado desembargador não só cometeu um erro crasso, talvez por desconhecimento da realidade municipal, como reabriu as portas mais uma vez para a negligência e a desordem na coisa pública guajaramirense.

À um Juiz de Direito se pede que além do notório saber e da ilibada moral, que como indivíduo também tenha um bom coração capaz de discernir entre o justo e o injusto, o certo e o errado. Aliás, um bom coração jamais deverá servir como obstáculo para o exercício da carreira de Juiz de direito. Ao contrário, toda a filosofia do Direito se orienta no sentido de que só pode exercer a carreira de Magistrado quem for altamente humano, sensível e compreensivo. Um jurista não deve se limitar a somente conhecer as leis. Deve também ser sociólogo e político antenado nas coisas da vida em todos os seus aspectos.

Um Juiz de Direito também deve ser filósofo para entender que o código das leis reclama uma virada para melhores dias. Deve ser humano ao extremo para que se torne guardião dos interesses coletivos contra os privilégios de alguns; e por último, um Juiz deve dar às leis e ao direito um sentido de justiça “ipsis literis”, deixando de lado as soluções amargas que causem a destruição. Quem faz direito deve aprender não só a se amparar ou a executar as leis, mas também questiona-las. Os ditames da moral e da justiça devem estar sempre inscrito na dinâmica forense, alguns desde o útero materno.

A decisão levada a cabo pelo ilustre magistrado da capital não considerou o pesadelo político pelo qual passa nossa cidade e muito menos as denúncias dos vereadores que, com amparo em estudos técnicos do Tribunal de Contas, apontou o estoque de descontrole, atropelos e muitas outras coisas abusivas. Diante deste frenesi, não faltam prognósticos que anunciem mais conflitos pessoais e políticos acima das conveniências sociais.

Todos os dias a Câmara Municipal e o MP recebe denúncias de malversação na coisa pública onde podem estar envolvidos secretários, empresários e até funcionários públicos. Existem indícios de emprego irregular de verbas públicas, estelionato, manipulação de concorrência e até formação de quadrilha. Ora, se há problemas com a serventia da Prefeitura na consecução dos negócios, caberia ao Prefeito, por tabela, a responsabilidade por alguns delitos lesivos à coisa pública e aos interesses da sociedade.

Verdade seja dita: aqueles que pela forma do voto deram respaldo e passaporte para que Atalíbio Pegorini pudesse chegar ao cúmulo de chefe maior da Cidade Pérola, hoje têm consciência de terem vendido seus sonhos e anseios por melhores dias à um embuste, à uma farsa; isto porque puseram suas esperanças em simples promessas.

Last but not least, estamos f#didos e mal pagos!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A GUAJARÁ QUE NÃO PODE PARAR

Nesta semana quero prestar uma homenagem a você, cidadão trabalhador, que acorda às seis, seis e meia da matina, toma um café correndo com a família, para depois pegar sua bicicleta e partir para a batalha do dia-a-dia, às vezes sem nem ter como reclamar por este aperreio, porque não pode chegar atrasado no emprego, pois às sete e meia tem que estar no batente.

Quero prestar minha homenagem a você cidadão, que saiu de casa atrás de um emprego e acabou voltando de cabeça baixa, pois não encontrou vaga nem para limpar privada, mas ainda tem fé e amanhã vai levantar bem cedo e tentar de novo.

Desejo de coração prestar uma homenagem ao cidadão que sai de casa todos os dias com enxada e ciscador à mão para prestar serviços em casas de gente como a gente, que lhes dá o devido valor porque sabem que estes trabalhadores também são nossos iguais, apesar de tão desiguais, portanto à você que trabalha no serviço de capina ou poda de árvore, a minha singela homenagem.

Quero prestar minha homenagem ao cidadão que acorda todos os dias triste, deprimido, quase sem rumo diante da “paradeira” que ocorre em nossa cidade onde falta de tudo, desde os serviços mais básicos até perspectivas de dias melhores para este povo. Este mesmo povo que quando tenta se acudir junto a alguns políticos, sempre dão com os “burros n’água”.

Quero prestar minha homenagem ao cidadão que levanta bem cedinho para enfrentar as filas dos postos de saúde ou na própria secretaria no intuito de conseguir uma ficha para consulta ou guia de internação, a maioria destes constituída de gente sofrida, velhos e mulheres com crianças no colo. Muitos deles já passaram humilhações nos corredores do Hospital Regional, mas que mesmo com estas cacetadas da vida ainda conservam a arte de sorrir mesmo quando o mundo diz não.

Quero prestar minha homenagem a estes cidadãos trabalhadores de todas as classes sociais, o professor, o pedreiro, o servente, o taxista, o taberneiro, a lavadeira, o garçom, o balconista, os “chapas”, o catador de latas, o vendedor ambulante, o peixeiro, o feirante, o mecânico, o soldador, o encanador, o eletricista, o vigia, o servidor público e outros; muitos passando por dificuldades financeiras, alguns não raro até sem dinheiro para garantir o mínimo de conforto para a família.

Desejo prestar esta homenagem ao cidadão que leva esse tapa na cara todos os dias e nem por isso desanima. Falo dessas pessoas que não podendo ser exaltadas como empreendedor ou às vezes por falta de oportunidade ou de estudo, nem por isso enveredaram pelos caminhos tortuosos do crime e da violência ou ainda de querer levar vantagem, passando por cima de quem estiver no caminho. Aqueles que mesmo sendo anônimos, nem por isso deixam de ser importantes para Guajará-Mirim. Aliás é na batalha destes anônimos que se encontram os grandes super-heróis de nossa cidade.

Por último quero prestar minha homenagem à todo o povo da Cidade Pérola, hoje abatido e atônito pelos últimos acontecimentos políticos, mas que apesar de tudo ainda conserva a consciência de que a todo desafio a gente responde com um maior empenho em defesa de nossos valores morais e éticos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

CAÇA E CAÇADOR

Conforme me disseram fontes confiáveis, um vereador com as têmperas nas alturas, esteve à minha procura pelos arredores da cidade na última sexta-feira. Esteve na Câmara, no boteco de minha predileção e por último, em minha humilde tenda. De lá fez algumas ligações em meu celular e disse que iria aguardar minha chegada.

De retorno ao lar pude observar sua pick-up parada em frente e resolvi encarar a situação. Cumprimentei-o assim que fui entrando. Ele, de cara amarrada, apenas rebateu: - A gente precisa conversar. Em seguida mostrou-me a matéria de minha autoria que saiu na edição passada e perguntou-me “que porcaria era aquela” que eu havia escrito. Disse ao vereador que aquilo nada mais era que o exercício do meu sagrado direito de opinião e expressão que a Constituição me oferece e ampara. Coloquei-o a par que ele também tinha direito de resposta, caso fizesse petição à Justiça, inclusive para dizer que tudo que estava impresso naquele pergaminho não passava de distorção da notícia, mentiras e factóides.

No auge da conversa, perguntou-me quem estaria me pagando para publicar aquele tipo de matéria. É claro que fiquei p#to nas calças, mas me contive e lhe respondi que nunca tive que recorrer a este tipo de artifício e que jamais pretendia recorrer. E mais: que aquele emaranhado de palavras mal escritas eram o resumo e relato de tudo que o vereador andara falando nas rádios da cidade, com adaptações para a linguagem jornalística (o chamado copydesk); e que aqui e acolá eu havia exposto minha análise a respeito. Em sua manifesta pobreza de espírito político, rechaçou dizendo que aquilo era coisa de gente irresponsável, que não tem o que fazer, sem ocupação e cheio de más intenções.

Expliquei ao nobre edil, que o mesmo hoje exerce função pública, e como pessoa pública, já deveria estar mais aberto às críticas, afinal a Política também é a arte de “engolir sapos”. Disse-lhe ainda que não foi minha intenção atacar a honra de ninguém. Somente coloquei na prancheta o que se ouve nos bares, tabernas, nas ruas e calçadas. Ao término da conversa, acompanhei-o até seu carro e pedi-lhe desculpas pelo eventual transtorno que porventura tivesse causado á sua família, mas que por outro lado, estava tranquilo comigo mesmo por haver cumprido minha obrigação de jornalista. De cara fechada, deu partida na ignição de sua pick-up e foi embora.

Existem políticos que nunca irão aprender a lidar com a Imprensa. Sou consciente que às vezes não agrado ao expor de maneira nua e crua as estruturas. Sim, às vezes também cometo injustiças com pessoas públicas. Mas são poucas vezes. Em geral a exposição de pessoas públicas é mais que normal. Até porque elas são públicas. Então temos o direito de critica-las e até a obrigação de expor suas vidas ao máximo. Tudo o que falo nesta Coluna, reitero mais uma vez, assino embaixo e quem discordar tem o mesmo espaço, através de direito de resposta para se defender.

Mas ainda bem que mandatos terminam e acabam levando junto com o seu término políticos, que dado seus atropelos, jamais deveriam um dia ter posto os pés na política. E o que fica? A sociedade, tendo que se reciclar, se renovar e constituir-se no caminho do tempo e no espaço.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

GALEGO, A FERA FERIDA

Na semana passada o vereador Ronald Fernandes, o Galego, fez uma perambulação pelas três emissoras de Rádio da cidade buscando se explicar e arrumar desculpas plausíveis para o rolo em que se encontra metido até o pescoço. Nesta sabatina, o vereador respondeu às indagações dos radialistas a respeito das acusações que pesavam contra sua pessoa através da CPI da Câmara Municipal, onde reclamou à torto e à direito das informações desencontradas que tem chegado à imprensa e insinuou-se vítima de perseguição por parte de alguns vereadores.

Sem o mínimo de “metié” no traquejo político e com alta carência de jogo de cintura, Ronald Fernandes quanto mais falou, mais se enrolou. Acusou vereadores que “só recebem para objetivar suas funções para atrapalhar quem trabalha”. Disse que o objetivo destes vereadores são outros, mas que por ora prefere manter-se calado a respeito e no auge de acusações contra seus pares, vaticinou que tem muita bala no gatilho e que sabe de muitos “podres”. Mais: advertiu que a depender do resultado desta CEI, poderá atirar coliformes fecais no sistema de ventilação da Câmara. Quando indagado sobre a questão de suprimento de fundos que consta do bojo do processo da CPI da Câmara, e que apontou denúncias de compras feitas na Comercial Ana Rita, primeiro concordou com o repórter dizendo ser verdade que “algumas compras se realizaram na “nossa” empresa”. Em seguida procurou consertar dizendo que a “nossa” empresa não era mais “nossa” e sim que pertencia à sua esposa.

Ora, se a tal Comercial não pertence ao vereador, qual seria a sua ocupação naquele comércio? É o gerente, o balconista, o office-boy ou apenas “está de olho na butique dela”? Querer nos convencer que não tem nada a ver com a Empresa neste momento, é mesma coisa que dizer que o claro é escuro, que o dia é noite e focinho de porco é tomada. Quanto ao suposto dossiê que diz possuir sobre um mar de lama que envolve alguns membros do Legislativo, Galego acabou pecando pela falta de decoro ao expor ao escrutínio público toda a Casa de Leis. Parece não saber o vereador, que qualquer cidadão que possua informações sobre ilicitudes tem o dever ético de denunciar ao MP ou à Polícia Federal. Agora dizer que possui informes sobre falcatruas, mantendo-os secretos, é uma conduta imoral que se assemelha à chantagem. A chantagem e a ocultação de informações são irmãs siamesas da corrupção.

Hoje sem nenhum respaldo político, o vereador Ronald Fernandes é tido por alguns de seus pares, como um zero à esquerda e encontra-se isolado no “Bloco do Eu sozinho”. Altamente suscetível às críticas, o vereador conseguiu abrir as portas de seu inferno para tudo e para todos. Esteve criando atritos com a imprensa local, chegando a tachar a maioria dos veículos do ramo de vendidos e que estariam a serviço de políticos para lhe atacar. Ameaçou de morte um colega vereador, conforme boletim da DPC. Já discutiu com o público presente no Plenário da Câmara e hoje suas credenciais nas decisões de relevância daquela Casa de Leis são de muito baixo impacto.

Estes tipos de tricas e futricas, desgastou tanto a imagem do ex-atuante vereador que hoje ele tem vergonha até de defender o povo de Guajará-Mirim contra os desmandos da atual Administração Municipal.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A IGNORÂNCIA E SEUS EFEITOS

Na semana passada Guajará-Mirim mais uma vez surpreendeu-se com alta levada de barbárie e selvageria que vem tomando de assalto nossa antes tão pacata cidade. A notícia do latrocínio que ocorreu em uma soparia às margens da BR 425 na saída da cidade foi passada em primeira mão pelo site do O Mamoré e outros. Até aí tudo ok! A imprensa esteve cumprindo a obrigação que está enraizada em seu DNA. Relatar os fatos e procurar detalhes buscando sempre falar o máximo com o mínimo de palavras. O que ninguém ou pouca gente ficou sabendo foi como uma simples notícia se transformou num qüiproquó sem tamanho e que acabou por colocar em prejuízo toda a imprensa guajaramirense.

Acontece que por causa de um arremedo de radialista que sabe-se lá porque, achava que até então detinha o monopólio da informação e com alta crise de ciumeira, talvez pelo motivo de sua audiência estar em declínio em comparação a outros meios de mídia da Cidade Pérola, também acabou achando que tinha o direito de intervir naquilo que podia ou não ser notícia, e com “história de malandro pra delegado” encontrou legitimação para suas causas e aplicou o chamado “conto do vigário” de maneira a manipular seus “insights” e também defender seus notórios interesses embasados em estereótipos ignorantes. Resumo: de agora em diante está proibido a toda a imprensa guajaramirense o acesso à equipe de perícia da Polícia Civil a fim de recolher dados, detalhes e material visual.

Pela idiotice do mentecapto fica explicitado o quanto o mesmo é uma besta, um energúmeno que deveria assinar atestado de burrice. Sim, é tão burro que conseguiu atirar no seu próprio pé e contrariar a si mesmo. Não conseguiu até hoje reconhecer que os serviços da Polícia e da Imprensa devem caminhar em sincronia em favor de toda sociedade. Talvez isto deva-se ao fato de que o que raciocina seja apenas o espelho de sua mente que não pensa adiante, apenas tem relâmpagos de sub-inteligência. Como dizia meu pai: “Meu filho, a quem lhe falta caldo de cultura, a humildade deveria deixar de ser apanágio para se tornar requisito essencial”. Neste caso acrescento que acima de tudo, para evitar atropelos a respeito das normas parametrais que regem nossa imprensa escrita e áudio-visual e a intromissão de alguns “fakes” neste mercado de trabalho, neste momento é de extrema urgência discutir o papel do jornalista na sociedade, avaliar critérios, discutir os limites da profissão, estabelecer parâmetros éticos para o exercício da mesma e fazer avaliações sobre se de fato os meios de comunicação de Guajará-Mirim estão cumprindo o papel social que deveriam ter.

Em jornalismo existe uma condição básica: informação é poder. Nas outras profissões as pessoas que tem informações as segura para si. O jornalista não. O gosto do jornalista é contar para os outros, é a psicologia do furo da matéria.

É claro que existem alguns canalhas no meio da imprensa, assim como existem canalhas na política. É mister explicar que o jornalismo não pertence a fulano nem a sicrano. O jornalismo pertence ao Povo. Este povo não está nem aí para as “birrinhas’ do radialista, do assessor de imprensa ou do diretor da Rádio. O povo quer saber da verdade dos fatos. E é nisto que o bom jornalista deve concentrar seu trabalho.