terça-feira, 10 de novembro de 2009

OS SONHOS MORREM PRIMEIRO

Guajará-Mirim passa hoje por um grave momento político. Depois de assistir a ruinosa gestão do ex-prefeito Dedé de Melo, achava-se que o pesadelo passaria com a eleição do novo prefeito. Ledo Ivo engano. Elegeu-se Atalíbio Pegorini para “Mudar para crescer” e tudo continuou como deixou Dedé de Melo ou talvez pior do que estava antes. É o que hoje todo mundo na cidade fala em qualquer boteco, em qualquer lugar. Como o prefeito anterior, o novo prefeito parece que também resolveu perpetuar uma coisa na vida pública que o grande público desconhecia de sua vida privada. A falta de escrúpulos, a enganação, as desculpas esfarrapadas, a omissão e a inoperância. Um estupro na moral, na ética e na história do povo de Guajará-Mirim.

Todos sabemos que nossa cidade está repleta de problemas que nem se faz necessário enumera-los, o tanto que a gente sabe, conhece e sofremos com tal situação. Agora uma coisa há que ser dita: o prefeito, quer queiram quer não, é o mandante maior da cidade, encarregado entre outras coisas de executar acordos, ditar os rumos que a cidade deve tomar sob seu comando a fim de melhorar o bem estar social do povo, a saúde, a educação, o serviço de limpeza, a questão do trânsito e administrar com seriedade as finanças do município. A questão essencial é que a cidade hoje está numa “arapuca” com essa estrutura do poder que se instalou. Das duas uma: ou essa estrutura desmorona ou esse desgoverno vai se perpetuar.

A cidade não deve ficar parada vendo o tempo passar e nada acontecer. A população que votou tem a obrigação de cobrar. E cobrar tudo o que foi dito nos palanques durante a campanha. Hoje o povão que deu 7.000 votos para esta administração anda na rua com cara de otário por ter acreditado que seu candidato seria o menos mentiroso que os outros. Outro engano. Quando se trata de poder e de grana a amnésia se instala e logo logo eles esquecem as promessas de campanha, só voltando a lembrar na época das eleições que ainda estão por vir.

Aí é que eu pergunto: por quê em vez de estar sempre em viagem à Porto Velho para se reunir com meia dúzia de pessoas para fazer nada, o prefeito não vai visitar o Hospital Regional e os postos de saúde que estão ao abandono, inclusive com gente morrendo por falta de atendimento, como foi o caso do passamento do irmão do radialista Ricardo Vilhegas?

Portanto é chegada a hora de sair a luta, temos uma cidade pra cuidar e que agora está em completo abandono. Nossas ruas estão cheias de buracos, nosso hospital não tem atendimento digno, os nossos jovens não têm perspectivas e os velhos também não, estamos vivendo a maior crise moral de todos os tempos. Guajará-Mirim, a nossa querida cidade Pérola acorda todos os dias com um gosto de derrota na garganta. A nossa antiga e próspera Guajará agora parece uma cidade fantasma.

Desculpem-me meus amigos pelo desabafo, mas este desabafo é uma coisa que a constituição me permite. O mínimo que espero com isto é que as entidades responsáveis pelo andamento do “stablishment” ao menos dêem ouvidos às questões em protesto. A historia tem nos mostrado que quando isso não acontece, lamentáveis situações se fazem vivenciar...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

COLETIVA À IMPRENSA

A convite da Srta. Joseana Cavalcante, relações públicas da prefeitura de Guajará-Mirim, foi que semana passada tive a satisfação de participar de uma coletiva que o prefeito Atalíbio Pegorini concedeu à imprensa desta cidade. Na ocasião, a “promoter” me disse que o prefeito queria conversar com a classe de jornalistas locais a respeito de assuntos de grande relevância para a cidade. Aceitei o convite por dois motivos: primeiro pelo interesse público e em defesa dos interesses maiores de Guajará-Mirim. E em segundo, para ver se punha de vez uma pá de cal em algumas farpas e escaramuças em forma de fatos que esta coluna publicou e que já estão pra lá de batidas.

Nesta reunião o prefeito falou sobre suas propostas, metas de trabalhos e planos de governo que ele e sua equipe técnica mantém em sua prancheta. Confesso aos amigos leitores que me vejo obrigado a concordar que são verdadeiras obras primas; isto, seria mister realçar, se fossem postas em execução. Mas não há como negar que na teoria há muita coisa boa em fase de estudos em sua gestão, inclusive podendo ser melhorada, inovada e continuada. Mas na prática, o que se viu até aqui é que a teoria não funcionou.

Quando alguém lhe indagou sobre o atraso no pagamento dos servidores municipais, em bom economês o prefeito explicou que tão logo a arrecadação das finanças públicas volte a ter um superávit de receitas dentro da espiral da planilha de orçamento e os recursos do FPM estejam mantidos dentro dos níveis normais da renda “per capita”, a prefeitura iria ter uma maior folga de meios para colocar em dia a folha de “pro labore” do funcionalismo municipal. Em língua de gente, o prefeito Atalíbio quis dizer que Guajará-Mirim estará para sempre condenada a ver sua economia estagnada por causa das modestas cotas do fundo de participação, cujos recursos servem apenas para oxigenar a folha de pagamentos. E nada mais. Isto, anotem aí, é a mesma coisa que condenar toda uma população à pobreza na autonomia. Em suma, estamos todos lascados pelos próximos 20 anos.

Fiz-lhe duas perguntas: uma sobre quando ele pretendia pôr em prática suas promessas de campanha e outra sobre que políticas públicas o prefeito teria em mente para melhorar a situação do nosso caótico trânsito. Em relação a primeira, em vez de ir direto ao assunto e dizer que iria ao menos tentar buscar os mecanismos necessários, o prefeito preferiu tergiversar sobre a crise mundial, que segundo seus critérios, seria fator gerador da falta de investimento nos diversos setores da administração. Quanto à questão do trânsito, nosso alcaide disse que independe da prefeitura tomar as rédeas da situação e que caberia a ela somente requerer aos órgãos técnicos a nível estadual uma completa ação laborial neste sentido. Enquanto isso não acontece, a gente vai continuar vendo as carretas e caminhões pesados transitar nas ruas centrais da cidade, quando em outras administrações eles seriam proibidos sob pena de multa pesada para aqueles que causassem tal infração.

Toda a entrevista demorou cerca de duas horas. Ao término da reunião o prefeito agradeceu a presença de todos. Em seguida retornei para a Câmara onde havia deixado minha bicicleta. E de lá para casa.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A FUNDOS PERDIDOS

Essa é de lascar: a concessão do crédito adicional na suplementação de fundos com percentuais de 3 por centos que a Câmara de vereadores liberou após as conversações de praxe ao Poder Executivo parece que não estava a contento do que almejou Vossa Senhoria, o prefeito Atalíbio Pegorini e parte de seus asseclas. O chefia da prefeitura pretendia em sua proposta ao legislativo fechar um resgate de 20% do orçamento total de R$ 37 milhões de reais, mais ou menos 7 milhões de reais, mas teve mesmo que se contentar com os R$ 1,1 milhão que os vereadores puderam autorizar.

Segundo se pôde apurar, a medida proposta pela Alcadia não obteve o malfadado êxito pela falta de justificativas quanto á aplicação dos recursos, fato este gerador de suspeitas no meio edílico. Um vereador mais exaltado resumiu: “É muito ruim para a cidade quando as pessoas que a governam começam a pensar que o dinheiro público não tem dono e de repente passam a utiliza-lo à seu bel-prazer e sem querer dar satisfações a ninguém. Mas é bom que se saiba que nós estamos cada vez mais vigilantes”.

O que ficou explícito pelas falas de alguns líderes da vereança local é que não existe relação alguma entre a performance da coisa em si e os reais objetivos. É de dar nó nas tripas a teia de gambiarras que se perpetram na Administração Municipal. Mas o pior de tudo é a falta de senso crítico e de bom senso no trato com a coisa pública, ainda mais em se tratando o público como privado e dessa mistura de interesses, acabar agindo em causa própria. É preciso que haja transparência em contas e atos públicos.

Tem gente que me acusa de fazer uso do O Mamoré para agredir pessoas. Mas é só uma questão de enfoque, pois pra mim agressão não se encontra em textos e palavras contra políticos que nada fazem. Para mim agressão de verdade é o que a Administração Municipal promove ao propor à Câmara a cessão de um cheque em branco, é deixar as pessoas à míngua nas filas do Hospital Regional e nos postos de saúde, é permitir que nossos filhos não tenham futuro por não termos uma educação de primeira, o que faz com que muita gente seja obrigado a mandarem seus filhos estudarem fora, agressão é ter que assistir os recursos que poderiam servir para a saúde, educação, encascalhamento e até asfaltamento indo para a boca do lixo, agressão é ver o caos instalado em diversas áreas do serviço público, em especial na saúde, ou vocês não estão vendo o que está acontecendo no Hospital Regional e nos postos? Estão abertos, mas em total estado de calamidade. E isto após 90 dias de intervenção.

O problema é que aqui em Guajará-Mirim o “correto” é ficar todo mundo quietinho no seu canto, não protestar, não acusar, não espernear e nem reagir. Falando o português na lata: não fazer pxxrra nenhuma. Hoje salvo alguns vereadores, não vemos mais as entidades como a Associação Comercial, a Maçonaria, Rotary, Lions e associações de bairros tomarem a frente e pedirem providências. Até agora nenhum líder destas entidades se levantou para reclamar da omissão e inoperância do Executivo Municipal. Claro! Como já foi dito, o correto aqui em Guajará-Mirim é não falar nada, não fazer nada. Parece piada, mas a coisa aqui funciona assim.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

TRÂNSITO PREOCUPA VEREADOR PETISTA

Em pronunciamento da tribuna da Casa na sessão ordinária da Câmara Municipal de Guajará-Mirim, o vereador Roberto de Sá abordou a questão do trânsito na cidade, qualificando-o de caótico e cobrando medidas para que ocorram melhorias no setor. O vereador afirmou que quase diariamente ocorrem acidentes em Guajará-Mirim, ceifando vidas ou deixando-as com seqüelas para o resto de suas existências.

Ele criticou a visível ausência do Estado na questão, principalmente das autoridades de trânsito. Disse que motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres estão entregues à própria sorte. Cobrou melhor gerenciamento do setor como forma de melhora-lo e disse-se favorável a assinatura de um convênio entre prefeitura e Polícia Militar e não se sabe porque até hoje esse convênio não foi assinado.

Em outro trecho de seu pronunciamento o vereador Roberto de Sá disse que a falta de recursos por parte do Poder Executivo Municipal talvez explique mas não justifique a instalação do caos no trânsito de nossa cidade e sugeriu que a prefeitura mantenha contatos junto ao Ministério das cidades em Brasília objetivando de recursos para investimentos na implantação de uma ciclovia e na sinalização das principais vias.

Como forma de buscar soluções para o problema, Roberto de Sá apresentou um requerimento à mesa diretora na Casa sugerindo que a prefeitura mantenha contatos com o Ministério das Cidades em Brasília, pois lá existem recursos para esse tipo de investimento, bastando tão somente a elaboração e apresentação de projetos dentro das normas técnicas e legais.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ORÇAMENTO MUNICIPAL: CÂMARA LIBERA APENAS 3 POR CENTO

Depois de uma ampla discussão, a Câmara Municipal de Guajará-Mirim autorizou a prefeitura a usar apenas três por cento do teto que solicitou na semana passada a pretexto de implementar novos investimentos na gestão da área municipal de saúde dentro da dotação de suplementos de fundos do orçamento municipal.

Segundo o vereador Francisco quintão (PDT) “Os 20% pedidos pelo Prefeito não foram concedidos pela falta de indicadores que justifiquem o destino para quê, para quem, de onde sairiam e para onde iriam os recursos da ordem de R$ 7 milhões”. Ainda segundo o vereador, o prefeito, com esta empreitada pretendia convencer a Câmara a autorizar o remanejamento do teto máximo de 20% do valor global do orçamento do município calculado em cerca de R$ 37 milhões, ou seja, os desejados R$ 7 milhões seriam utilizados sem planilha pré-estabelecida. No entanto a Câmara só concedeu 3 por cento deste orçamento, o equivalente a R$ 1 milhão e cem mil reais.

Para o presidente da Câmara, Dr. Célio Targino, “Caso a estratégia do Prefeito tivesse a chancela da unanimidade dos vereadores, a Câmara estaria assinando um cheque em branco à prefeitura”. Na atual gestão o Poder Legislativo – como nunca ocorreu – tem feito juízo de valor quando se trata do uso indiscriminado de dinheiro oriundo do erário público, “e acabou com a prática utilizada há anos dos dois pesos e duas medidas”, revelou um assessor do alto escalão municipal.

A medida, segundo os vereadores, “não detalhou os fins específicos a que esses recursos serviriam, apenas justificaram no bojo do projeto a origem das fontes, a aplicação do remanejamento a princípio, como a compra de materiais, equipamentos e pagamentos de serviços com aparelhos de raio X, ambulâncias, remédios e outras carências de postos de saúde e do Hospital Regional”.