terça-feira, 13 de julho de 2010

TRINTA ANOS SEM VINÍCIUS

Completou-se na última semana, trinta anos do passamento desta para outra esfera astral, daquele que foi talvez o maior poeta da Música Popular do Brasil. Múltiplo artista, Vinícius de Moraes foi escritor, músico, diplomata, boêmio, curtidor da vida em todas as suas variantes, e cidadão do Mundo. Também escreveu peças de teatro e trabalhou em jornais fazendo crônicas e críticas de cinema. Seu vasto domínio da linguagem culta ou erudita em muito enriqueceu a música popular, a qual conferiu qualidade literária.

Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1913 e escreveu seu primeiro poema aos 7 anos de idade. Fez curso de direito na antiga capital da Guanabara e literatura inglesa em Oxford. Ingressou na carreira diplomática por concurso e trabalhou em embaixadas do Brasil mundo afora. Publicou diversos livros, entre os quais “Poemas, sonetos e baladas” e “Para viver um grande amor”, que mereceu várias reedições. A constante de sua poesia era o lirismo, a expressão indizível da beleza. E foi esta linguagem que fala direto ao coração que o levou para a música popular, onde alcançou êxito internacional como o Papa da Bossa Nova.

Através do universo musical, manteve contato com muita gente do meio artístico que viraram parceiros, tais como Tom Jobim, Carlinhos Lira, Pixinguinha, Baden Powel, Chico Buarque, Maria Creuza e Toquinho, que marcaram presença em sambas e canções como Carta ao Tom, Garota de Ipanema, Insensatez, A casa, Chega de Saudade, Tarde em Itapoã, Gente Humilde, Onde anda Você, Sei Lá e muitas outras.

Representante de uma escola poética romântica amorosa dos tempos modernos, Vinícius conseguiu como poucos expressar com realismo e pureza de sentimentos a relação de amor entre o homem e a mulher. Para os amigos, Vinícius era uma pessoa maravilhosa que buscava sempre compreender e dar uma força para todo mundo, uma pessoa de gestos suaves e incapaz de qualquer tipo de violência e que gostava de conversar sobre as coisas que a vida tem de bom, de gostoso, de engraçado. Gostava de ver a vida passar sem fazer nada, a não ser ficar “pensando na morte da bezerra” a bordo de um legítimo Old Parr.

Em Guajará-Mirim, a poesia e a maneira apaixonada de sentir e viver o mundo e as coisas de Vinícius, encontra ressonância através da voz e violão do amigo e músico Da Hora, que vez em quando dá uma canja lá na taberna do Celso Lobato. Outros amigos que também fazem quorum às sextas-feiras quando aportam por aqui, são os magnânimos Alex Casara e o Dr. João Soares. Este seleto conjunto poderia encontrar eco com mais difusão se contasse com uma platéia também seleta de fãs da poesia e da música de Vinícius como Sérgio Ribeiro, Clóvis Everton, Lorenzo Villar, Carola, Evângelo Vassilakis, Ditão, Abrahim Chamma, Aurimar da Receita e Paulinho Medeiros.

Vinícius de Moraes nos deixou em 08 de julho de 1.980. De suas músicas, as que mais este cronista aprecia são “Pela Luz dos Olhos Teus”, que fala sobre o encontro de solidões e percepções extra-sensoriais entre almas gêmeas, e “ A Tonga da Mironga do Caxinguelê”, um petardo a favor das alegrias da vida e da arte de viver e superar obstáculos ao mesmo tempo em que se carrega fardos insuportáveis.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

FUTEBOL TEM DESSAS COISAS

Acabo de chegar a conclusão de que em Guajará-Mirim só existem duas pessoas que entendem de futebol: eu e meu amigo Clóvis Everton. A diferença entre a maioria dos que especulam e tergiversam sobre as batalhas campais que se fazem nas arenas circenses do Esporte Bretão, e a opinião ortodoxa formada com base cimentada desses dois “experts” no assunto, é que ao contrário dos leigos e energúmenos que acham que sabem alguma coisa e fazem análises e conjeturas a partir de pressupostos e retrospectos, mas sempre partindo do ponto de vista angular da emoção ou da paixão; “nosotros” temos como fio condutor para o entendimento da quadratura do círculo deste supra-sumo universal que é o futebol, a luneta da razão crítica e a diretriz do bom senso.

E acabei de chegar à esta nobre questão hermenêutica depois que juntos fizemos os prognósticos das quartas de final da última Copa do Mundo lá no Bar do Clóvis, que por coincidência é parente de minha consorte e primo-hermano do Clóvis em questão. Aliás, tudo na vida é questão de hermenêutica. Futebol também. O fato é que afora os erros e desacertos de praxe dos fanáticos de plantão, todas as nossas previsões colaram. Passaram adiante os Germanos, a Fúria espanhola, o Carrossel Holandês e a Celeste Uruguaia. Ao escrete do Brasil faltou vergonha na cara, vontade de jogar bola e um mínimo de auto-crítica.

E não adianta quererem romantizar a coisa. É preciso ter consciência que o futebol que estão jogando Alemanha, Espanha e Holanda, é que é o futebol que se joga hoje em dia. Eles não tem mais nada que aprender com a gente. Nós é que temos que colocar humildemente a cartilha à tiracolo e aprender com os europeus. É um futebol de resultados, sem deixar de ser bonito e nem empolgar a torcida.

A verdade é que a seleção brasileira chegou longe demais nesta desastrada epopéia. Tive este vislumbre depois que assisti àquela porcaria cheia de tranqueiras passar o maior sufoco para bater o saco de pancadas da Copa, que era a Coréia do Norte, que todo mundo goleou de sete a zero. Mas o que mais impressiona é como aqueles pernas-de-pau nunca tiveram humildade para reconhecer que o time era limitado. Sempre entraram de salto alto. E tome-lhes “Nós somos pentacampeões do Mundo, nós vencemos a Copa América, nós jogamos na Europa, nós temos contrato com a Nike e com a gente ninguém pode”. Faltou à equipe do Dunga a humildade que sobrou na seleção do Uruguai, por exemplo.

Também não adianta falar em erro de arbitragem, até porque se fizerem um balanço geral de erros de arbitragem, o Brasil é campeão mundial de roubalheiras em Copa do Mundo. A outra verdade é que a nossa seleção ficou marcada nesta copa pelo desequilíbrio emocional. E o principal culpado é exatamente o técnico Dunga por convocar uma porrada de brucutus em detrimento de craques de verdade como Felipe Coutinho (Vasco da Gama), Cléber (Cruzeiro), Diego Tardeli (Atlético), Paulo Henrique Ganso (Santos), Léo Lima (São Paulo), Leandro Guerreiro (Botafogo) e outros. Da seleção do Dunga, só deixava o Nilmar, que não teve chance de jogar bola.

Aí sim, a gente iria ter uma seleção do Brasil nativo, com jogadores que iriam jogar por amor a camisa e pouca preocupação com patrocínios, contratos e marketing.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DA RESPOSTA DO RÉU

Até o dia 20 de julho, este que vos subscreve deverá ser ouvido em juízo forâneo, a fim de explicar frente aquele intemerato órgão, coisas ligadas a uma queixa-crime perpetrada por um servidor público contra este pobre escriba, que sempre procurou seguir o caminho retilíneo das leis naturais; e que neste momento vem apelar junto ao estatuto das leis que um dia regeram a “pax romana”, a presunção de inocência, conceito segundo o qual, qualquer pessoa é inocente até que se prove o contrário, e que hoje se constitui em uma das bases do Direito Moderno.

A tal queixa, atribui-se a um fato que ocorreu no mês de janeiro, e que consta no boletim policial como desacato, aconteceu no local de trabalho do insigne servidor, que uma vez sob o manto do “Corporavit” ou do simulacro das leis que diz defender, aliado aos seus excessos pessoais, acabou por expor ao constrangimento quem sempre teve sua vida pautada pela obediência aos parâmetros que regem os foros judiciais que fazem os trâmites usuais da justiça. Conforme consta no BOP, a acusação, depois de tentar me intimidar com gestos e olhares, me outorgou ofensas que, confesso, em nenhum momento cometi. Posso até cometer um erro por defeito de raciocínio, mas não por deficiência de reflexão. Acho até que só pode ter havido um rapto de imaginação por parte da acusação. De qualquer forma, a situação se inverteu e quem deveria constar no BOP como vítima, passou a ser infrator. Mas como para tudo na vida existe uma explicação, para este funesto teatro que o distinto servidor pretende montar, recorro aqui ao “Gênesis” de tudo.

O qüiproquó em questão teve seu epicentro há mais ou menos um ano numa mesa de bar, mas preciso num choque de opiniões divergentes. O cerne da discussão é que a pessoa que ora me processa disse valorizar o acúmulo de capital e de bens materiais como forma de aceitação na sociedade. Pelo catecismo da acusação, homens de grande quilate seriam os Bill Gates, os Rockfellers, os Onassis, os Eike Batistas e os Roberto Justus; e desprezíveis os Eisteins, os Montequieus, os Karl Marx, os Nietzches, os Jonh Sebastians Bachs e os Fábio Marques. Eu sempre achei que o dinheiro não deveria ser a mola propulsora de todas as nossas ações. O bem comum sim, é que deveria modelar nosso projeto de vida. De que adianta, por exemplo, eu ter três carros na garagem quando meu vizinho anda a pé e passa fome? Jamais irei me conformar. Esta é a minha utopia, meu “moto perpetuo”, que uns entendem e outros não. O fato é que de lá pra cá, este cidadão de ilustre estirpe passou a me enxergar sob a sombra da despeita.

Mas ao fim e ao cabo queria dizer que a recíproca da acusação não procede. Jamais irei pretender fazer a este cidadão o que ele pretende fazer a mim. Não desejo nenhum tipo de mal para esta pessoa, da mesma forma que não guardo nenhum tipo de mágoa, ressentimento, despeita ou rancor em relação a este nobre Cro-Magnon. Procuro não freqüentar os lugares que ele freqüenta e evito fazer cruzadas com o seu caminho. E no mais, acentuo que não é e nunca foi de minha intenção ofender o honrado gentleman, e se ele ainda assim insiste no objeto de sua intenção, dou por não ditas tais palavras.

E confio na pétrea substância da Justiça para constar como válidos meus argumentos, até porque as premissas são verdadeiras. Ipsis literis.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

JUSTIÇA PARA TODOS

Algum tempo atrás uma mulher bastante destemperada, esbravejou comigo: Eu te processo! Simplesmente respondi: Afinal processo é coisa do outro mundo? Fique à vontade minha senhora. Quero apenas salientar que quem processa alguém também abre precedente para ser processado, e quase sempre, tendo como provas de danos morais o próprio processo que provocou. E mais: pelo arrastar da nossa justiça, seria muito bom para todos nós que a gente esteja vivos e muito vivos para ver o resultado dos respectivos processos.

Em relação ao eventual processo que o Prefeito parece estar movendo contra mim, queria dizer que a coisa que eu mais quero no mundo é ser processado por estar denunciando os desmandos da atual administração. Mas é sério gente. Estou louco para receber a citação. Vou dar a maior publicidade. Até porque eu terei a chance também de publicar aqui mesmo nesta Coluna a montoeira de irregularidades e usos e abusos de recursos públicos que fazem parte do “Modus operandi” desta administração. Ah, vai ser divertido. Estou morrendo de medo.

Mas vamos e venhamos: todo mundo sabe que em qualquer caso de calúnia, difamação, injúria, etc, o prejudicado deve procurar a justiça. Aí nesse caso caberia a mim confirmar ou negar o que disse ou afirmo. Isso é democracia. Isso é liberdade. Agora meu caro Prefeito, gostaria de te informar que quem faz vida pública está exposto à opinião pública. Esta é outra regra a ser levada em conta da democracia. Apenas falamos o que se ouve por aí, ou às vezes o que deve ser dito. Do outro lado encontram-se aqueles que defendem seus interesses junto ao aparelho do Estado, que em sua maioria, estão ligados à coisas erradas no que se refere à esfera pública.

Hoje, devido a fragmentação moral e social da máquina do Poder Municipal e da demagogia dos que dela fazem parte, a gente pode afirmar que o nível desta administração chegou muito abaixo do medíocre. Hoje até os “analfas” que sabem ler mas não o fazem, e quando lêem não entendem “bulufas”, e quando entendem negam-se a fazer, até mesmo estes ignorantes compreendem que a situação é caótica. Desmascarar todos os descalabros com que são tratados as contas públicas, aí já são outros quinhentos. A CPI que ora se anuncia vai ter um “p#ta” trabalho de Hércules. A população e os poderes com poderes para investigar vão ter que ser muito atuantes no Estado de direito em vistas de poder restaurar a ética e a moral na administração pública.

Last but not least, no que tange ao ressentimento mesclado à vingança que ora o Prefeito destila à este impertinente jornalista, acho de coração e alma que agindo desta forma, o seu empenho em consolidar seu projeto de poder, fica cada vez mais distante do projeto de práticas eticamente justificáveis. Quem se atreve a adentrar a vida pública tem que antever que a esfera de sua vida privada ficará reduzida, e o povo tem sim, direito à informação. Como me ensinou meu amigo e ex-prefeito desta cidade, Bader Massud, “Críticas sempre irão existir, política é a arte de engolir sapos”.

Por enquanto é só.

terça-feira, 22 de junho de 2010

MUDANÇAS NO JOGO: SÉRGIO BOUÊZ PRESIDE CPI

Seguindo o rito sumário do Regime Interno a Câmara Municipal de Guajará-Mirim fez aprovar mediante votação na sessão da última terça-feira (15), a Composição da Comissão que vai investigar possíveis irregularidades administrativas em algumas esferas da Prefeitura Municipal.

Após exaustivo estudo de análise científica, Esta Comissão Especial, em obediência aos parâmetros hermenêuticos desta Casa de Leis, reavaliou a matéria de sua criação. Nesta assembléia se decidiu em definitivo que a Comissão só poderia ser composta por três edis, quando antes o número dos que a compunham era de cinco. O vereador Francisco quintão (PDT), que até a eleição da CEI, a presidia em regime interino tanto por ser o autor da proposta como por ser o edil mais idoso, após a votação passou a ser o relator e a vereadora Marilete Soares (PT), a vice-presidente.

A comissão também decidiu que caberá ao vereador Sérgio Bouez presidir as reuniões, solicitar serviços de profissionais técnicos para assessoramento nos trabalhos e intimar na forma oficial autoridades e testemunhas para prestarem esclarecimentos.